bailarina azul
Eu realmente adoro os "porquê não", eu sei que não é positivo e eu deveria reforçar o sim, mas o não é tão mais chamativo...
Voltando ao assunto do post: bailarinas adultas! Eu nunca gostei de balé, sinceramente, nunca pensei que um dia ia gostar tanto da idéia de uma sapatilha de ponta (adoro meus pés, a idéia de amassar meus dedinhos era horrenda), ainda mais quando ainda falta um tempo para subir nas benditas (especialmente considerando que quem vos escreve está com o pé quebrado).
Enfim, a pessoa era bailarina na escola primária, depois dos 4 anos abandonou as sapatilhas e, aos 25 resolve voltar. Esse ou qualquer um dos um milhão de motivos pelo quais a pessoa quer fazer balé depois de adulta. Eu vou dizer porque isso é estúpido:



- É um exercício difícil mental e fisicamente. Você provavelmente não tem alongamento suficiente, não consegue guardar os exercícios de rotina porque tem muitas coisas na cabeça, perde o ritmo da música e faz os passos mais rápido ou devagar do que deveria. As câimbras acabam com você (mesmo você prometendo que vai comer bananas até virar um macaco peludo de sapatilhas) e você se sente ridícula fazendo sautés. Cada olhada no espelho para corrigir um desvio nas costas desalinha sua linha de perna. Fazer um developé na altura da panturrilha é um suplício inimaginável. E quem disse que você consegue fazer uma terceira posição decente? Sim, existem aulas nos quais você só quer ir pra casa ver tevê e engordar.

Ou seja, você trabalha o dia todo, corre para passar na padaria antes de chegar em casa, se estressa com o tráfego e um motorista mal educado, chega em casa cansada, toma um banho, retoca uma unha que estragou na gaveta do escritório, come a santa banana (com um sucrilhos cheio de açúcar) e não pára para sentar – se sentar você desiste – isso sem mencionar as que tem filhos. Mas se você faz tudo isso, pega sua mochila e já vai rodopiando pra escola, parabéns pra você!
Todas essas limitações só fazem com que a emoção de ver a perna levantar mais um pouquinho, a quinta chegar a zero e você lembrar o último exercício na barra te deixe cada vez mais feliz. Quando você entra no carro com a perna tremendo e suando em bicas, mas tem um sorriso enorme porque se sentiu bem fazendo aquilo que gosta. Balé também é isso, um prazer solitário de ser feliz com o próprio corpo. E se você realmente gosta, vai entender que este post não foi para te desmotivar e sim para que você lembre das dificuldades que você supera todo o tempo. Parabéns pra nós, lindas bailarinas que não temos medo de voar...
Algumas imagens eu não lembro de onde são porque são mais antigas:
Savonbleu Locarcomballet Vivendoavida
Savonbleu Locarcomballet Vivendoavida