Já treinei algumas artes marciais e nenhuma delas me deixou
apaixonada como o Aikido. Treinei preguiçosamente durante algum tempo, mas a
partir do momento que comecei a me dedicar com afinco, aprendi ensinamentos em
poucos meses de tatame que tem muito em comum com aprender inglês. Não se
engane, os erros que comento aqui já foram cometidos por mim, várias vezes.
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kote gaeshi |
- Perfeccionismo imediato. Quando você começa a aprender
artes marciais, você não entra no tatame esperando executar as técnicas, mas é
exatamente assim que age grande parte dos meus alunos. Eles tem uma aula sobre
determinado assunto e querem saber o usar aquilo imediatamente! Se eu aprendo
uma forma de kote gaeshi agora, hoje
em dia eu só tento executar o que eu vi. Da mesma forma, não dá pra usar corretamente
o vocabulário de partes do corpo mais adjetivos e a estrutura do simple present em terceira pessoa tudo
de uma vez se você acabou de aprender tudo isso e não querer cometer erros. Repetição
leva a perfeição. Clichê batidíssimo para praticantes, mas nem tão claro assim
para outros estudantes. Sorry, mas ao fazer somente uma vez, você não vai
aprender automaticamente, você não é o Neo e eu não tenho um chip para seu cérebro.
Repetir suburi várias vezes me
mostrou que é preciso reforçar o conhecimento; no tatame, no corpo e em aula,
na mente.
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suburi |
- Lidar com erros. Certamente eu poderia focar tudo que
aprendi no Aikido somente aqui, mas vou me ater a dois pontos, este e o próximo
tópico. Meus alunos geralmente perdem um tem enorme quando erram, não pelo erro
em si, mas pelo comportamento a seguir: “Droga, fiz de novo”, “Por que não
aprendo isso?”, etc. Eu faço EXATAMENTE a mesma coisa quando erro um irimi pela quinquagésima vez. Mas depois
de observar meus alunos, aprendi a não gastar tempo e energia com esse auto-julgamento
desnecessário que te traumatiza para a técnica/gramática. Errou? Repita e
corrija.
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irimi nage |
- Faça com coração. Já perdi as contas de quantas vezes ouvi
e li de várias formas “faça tudo com toda a sua atenção e tudo será divino”.
Pergunto: quantas vezes você já estudou com toda a sua concentração? E quantas
vezes você fez algo meia-boca? Eu também, oras. Mas quando estou só
cumprimentando sensei ou tentando
andar em suwari waza, tento usar todo
meu foco. Ás vezes meus alunos perguntam algo em português por simples
preguiça. Eu digo para que se esforcem e tentem em inglês, especialmente se é
algo que já sabem. Quando um aluno fala em português por que “é mais fácil” e “eu
não sei falar inglês”, não está usando todo seu potencial por desleixo.
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É mais difícil do que parece... |
- Finalmente: Não desista! Eu já quis não voltar mais aos
treinos muitas vezes. Já me senti inadequada e burra. Já achei que era incapaz
de aprender ao voltar para casa muitas vezes com o mesmo hematoma. Assim, eu
sei qual é o sentimento dos meus alunos quando eles olham para mim de forma
desanimada ao tentar responder uma pergunta. Infelizmente, nós adultos não
sabemos sair da zona de conforto com facilidade e aceitar que ás vezes não
somos “tudo aquilo” em outras áreas. Mas se soubermos nos curvar a nossa
própria inabilidade, podemos ser melhores, sempre. Por isso eu não desisto do
meu treino, e peço, por favor, não desista do seu sonho de falar inglês.
Referências: